Desempenho do Sistema

Uso dos recursos naturais

Energia e água são os recursos naturais que se encontram em maior evidência na política dos governos atuais, através do desenvolvimento de ações para sua conservação. 

Uso racional de energia
Em relação à energia, o Brasil, possui uma matriz limpa, quando comparada à matriz energética mundial, com perto de 44% através de energia renovável (hidráulica 14% e biomassa 27%). Entretanto existe uma tendência a um crescimento baseado em termoelétricas, para suprir a demanda crescente de energia. Este crescimento é em grande parte baseado na demanda do pico de energia, ocasionado em grande parte pelo uso extensivo do chuveiro elétrico nas regiões com temperaturas mais baixas, principalmente na população de baixa e média renda.  Desta forma, com uma proposta direta de redução do uso do chuveiro elétrico em grande escala, por energia renovável como o aquecimento solar, poderia estar-se afetando de forma direta nas necessidades energéticas do país.

Uso racional de água
água por sua vez, é um recurso finito, vulnerável, essencial à sustentação da vida, ao desenvolvimento e ao meio ambiente. A ela tem sido atribuída a conotação de commodity - principal mercadoria do século XXI e o mais importante recurso natural do planeta - mas, antes de tudo, é um bem público de interesse social e o seu acesso deve ser garantido e universalizado, pois é um direito de todos os cidadãos. Nos últimos anos têm-se observado variações nas séries históricas que tendem a evidenciar as projeções relatadas pelo IPCC (2007), que indicam o aumento de situações críticas extremas: chuvas com grandes intensidades e ocorrência de longos períodos de estiagem.
O aproveitamento da água de chuva como um recurso hídrico alternativo e complementar para finalidades não potáveis, proposto neste projeto, tem maior viabilidade de aplicação em regiões com uma distribuição mais uniforme de precipitações ao longo do ano todo.  Apresentando dificuldade de aplicação em regiões sujeitas a longos períodos de estiagem, situação em que são requeridos grandes volumes de reservatório que podem inviabilizar economicamente a proposta, já que embora o volume do reservatório de armazenamento de água de chuva possa ser aumentado, escavado no solo, esta ampliação deve aumentar os custos destas construções.
Com este projeto, pretende-se melhorar nossa capacidade de antecipar, lidar e recuperar-se dos impactos decorrentes das adversidades climáticas. É com este intuito que esta proposta compromete-se em buscar soluções para convivência com esta nova realidade de situações de crise relacionadas ao regime hídrico. A proposta incorpora conceitos de uso eficiente de energia e de água, além de apresentar racionalização de espaço, com facilidade de manutenção e acesso aos equipamentos instalados, concentrando em um único equipamento, uma torre com múltiplas funções que contribuem para aumentar a sustentabilidade das habitações.

Desempenho econômico 
A implantação da torre daria acesso com um menor custo a recursos que hoje são pagos, possibilitando a geração de renda nas famílias. A viabilidade econômica do projeto para atingir as famílias de baixa renda se daria quando pensado em grande escala e não como um elemento único, na medida em que possa ser convertido em uma política pública com incentivo do governo, a exemplo da forma em que são subsidiadas as casas através da COHAB hoje em dia. Desta forma, seria uma maneira das próprias famílias pouparem recursos de água e energia ao estado, o que se traduz em poupança de recursos financeiros para o governo, através de um crescimento descentralizado de infra-estrutura.

Para saldar o déficit habitacional brasileiro de cerca de 7 milhões de habitações utilizando-se as tecnologias convencionais – chuveiro elétrico e uso de água potável para fins não potáveis - seriam necessários cerca de 4,5 milhões de chuveiros elétricos e o abastecimento de cerca de 1,75 milhões de m3 de água potável/dia. Com o uso da torre em larga escala poderiam ser poupados na media 50% dessa água potável. E igualmente teria um potencial de economia na instalação dos 4,5 milhões de chuveiros elétricos, que significariam um consumo médio mensal de 315.000.000 kWh para o pais, dependendo da fração solar a ser atingida em cada região.

Para o município de Florianópolis, considerando-se uma família de 4 pessoas em uma casa de 42 m2 (metragem padrão nas casas de baixa renda)  a torre pode apresentar um potencial de economia em torno de 24% do total da conta de energia, dependendo da fração solar a ser atingida.  Neste projeto está sendo prevista uma fração solar de 70%. Se aliada a implantação da torre a uma política pública de troca por geladeiras eficientes e por lâmpadas eficientes, que já estão em prática em alguns estados, pode chegar-se a economias bastante significativas nessas habitações.

Em relação à água poderia ter-se na mesma residência uma poupança de até 78% da água potável, o que significaria uma poupança de aproximadamente 38% no total de água utilizada na casa. Esta economia em pode aumentar com áreas maiores de captação e dependendo dos hábitos de consumo. Em relação à água as poupanças dependem da mudança de marcos regulatórios que muitas vezes são barreiras ao uso eficiente destes recursos. Como é o caso de políticas tarifárias aplicadas em Florianópolis, que utilizam o volume mínimo cobrado de água, que independe do uso, o que é um desincentivo à adoção de medidas de conservação da água.

Para outras cidades, as economias em relação à água vão depender do índice pluviométrico do local, mas de forma geral pode afirmar-se que nas regiões do Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte do país o regime pluviométrico é bastante constante, fazendo-se possível a sua aplicação.

Através do projeto da Casa Eficiente desenvolvido no LabEEE por meio da parceria com a Eletrobrás, Eletrosul, Procel e UFSC foram desenvolvidos de forma econômica alguns dos dispositivos a serem usados na torre; confeccionados com tubos, conexões e equipamentos alternativos e de baixo custo.

 

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