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SUSTENTABILIDADE NAS EDIFICAÇÕES: CONTEXTO INTERNACIONAL E ALGUMAS REFERÊNCIAS BRASILEIRAS NA ÁREARoberto Lamberts (1); Ma. Andrea Triana (2); Michele Fossati (3); Juliana Oliveira Batista (4)
(1) lamberts@ecv.ufsc.br; (2) andreatriana@floripa.com.br; (3) michele@ecv.ufsc.br; (4) juliana@labeee.ufsc.br 1. INTRODUÇÃOO modelo atual de crescimento econômico tem apresentado diversos entraves na relação entre o homem e o ambiente natural, em virtude de fatores como: 1) o alto crescimento populacional; 2) a desigualdade de ingressos onde uma grande parcela da população tem elevados índices de pobreza; 3) os padrões de consumo, em especial dos países com maior desenvolvimento, que usam grandes quantidades de recursos para satisfação de suas necessidades; 4) a falta de planejamento das cidades, principalmente nas zonas urbanas; 5) a freqüência e intensidade crescente dos desastres naturais, devido a mudanças climáticas ocasionadas pela própria interação do homem com o meio (causando custos humanos e financeiros muito altos); 6) o consumo da terra e a exploração não planejada das florestas. A busca por um
desenvolvimento sustentável traz a indústria da construção civil a foco. Bourdeau
(2000) considera este setor da sociedade de tal importância que a maioria das
outras áreas industriais perde
Agopyan (2000) aponta como sendo do início da década de 90 as primeiras medidas consistentes no Brasil em busca de uma construção mais sustentável, com estudos mais sistemáticos e resultados mensuráveis sobre a reciclagem, redução de perdas e de energia. Mais recentemente, o autor observa algumas mudanças no que diz respeito à redução do consumo energético na produção de insumos como o cimento e a cerâmica de revestimento; à utilização de resíduos (reciclagem) na produção de componentes como barras de aço e cimento; à preocupação para a redução das perdas e desperdício nos canteiros de obras; à decisão do Ministério do Meio Ambiente em regulamentar a disposição do entulho [1] e ao lançamento no mercado de produtos economizadores de água e energia. A atitude observada na órbita do governo federal, que no ano de 2000 ampliou o escopo do PBQP-H - Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade na Construção Habitacional para PBQP-Habitat (englobando desta maneira as áreas de saneamento, infra-estrutura e transportes urbanos), também pode ser considerado um sinal de que a produção de habitações não mais é tratada como uma atividade isolada, mas como parte da criação do habitat urbano. Apesar de serem muito úteis, representando uma mudança de mentalidade, essas medidas ainda são consideradas pontuais. Observa-se que na construção civil internacional a tendência de considerar o meio ambiente já está presente não só pelas leis e normas a serem seguidas, mas pela escassez de recursos que exige melhor controle e uso racional dos materiais. Além disso, incentivos fiscais são concedidos a empresas que incluem entre as suas estratégias a preocupação com o meio ambiente. É dentro desta perspectiva que aparecem as chamadas edificações sustentáveis, concebidas para fazer o uso racional de recursos naturais, utilizar materiais ecologicamente corretos e alterar o mínimo possível o ambiente no qual estão inseridas. O primeiro ponto a se considerar na busca deste tipo de edificação é que as preocupações devem começar desde o projeto, prosseguirem durante a construção e participarem da etapa de utilização. O projeto (concepção) da edificação torna-se uma etapa fundamental, quando já devem ser considerados aspectos ambientais, o entorno e a gestão dos recursos. O momento da especificação dos materiais também é importante, onde deve-se privilegiar materiais naturais e/ou pró-meio ambiente e recicláveis em geral. Neste sentido, a construção civil pode exercer um importante papel na preservação do meio ambiente, visto que sua escala de produção utiliza uma grande quantidade de recursos naturais e seus produtos, as edificações, têm elevado impacto no consumo de energia e água. Desta maneira, mudanças no tratamento de questões ambientais representam importantes oportunidades de desenvolvimento para vários setores da cadeia produtiva. Entre as principais ações relacionadas a esta estratégia pode-se destacar: · adoção de um novo paradigma de projeto, no qual as soluções são avaliadas considerando o ciclo de vida da edificação (incluindo custos de operação, uso, manutenção e desmontagem das edificações) e não apenas seus custos iniciais; · utilização de soluções que aumentem a flexibilidade das edificações e facilitem reformas e modernizações, como por exemplo, a reposição de componentes e subsistemas; · utilização de materiais e componentes que resultem em menor impacto ambiental ao longo do seu ciclo de vida; · introdução de melhorias nos projetos e na gestão da produção, reduzindo a geração de resíduos nos canteiros de obras e proporcionando uma destinação adequada àqueles que são inevitavelmente gerados; · reutilização ou reciclagem de resíduos industriais e agrícolas pela construção civil, incluindo os próprios resíduos produzidos na construção e demolição de edificações. Neste contexto, a introdução de mecanismos para a gestão dos requisitos ambientais ao longo do processo de projeto aparece como uma alternativa importante para suprir a carência dos requisitos expostos anteriormente, garantindo, desde a concepção do projeto, um empreendimento voltado à economia de energia e água, redução da produção de resíduos nos canteiros de obras, redução de custos ao longo da vida útil do empreendimento e bem estar ao usuário. [1] A Resolução 307 do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) é uma lei de responsabilidade para com os resíduos provenientes das atividades da construção civil. Como no caso de pilhas e baterias, que devem ser recolhidas pelo fabricante para não causar danos ambientais, essa lei determina que o manuseio e destinação do entulho das obras serão responsabilidades dos construtores. O construtor deve evitar a geração de resíduos, reutilizando e reciclando sempre que possível. Quanto à destinação, em nenhuma circunstância os resíduos poderão ser dispostos em aterros de resíduos domiciliares, em áreas de bota-fora, em encostas, corpos d’água, lotes vagos e em áreas protegidas por lei (CONAMA, 2002). Neste sentido o Sinduscon de São Paulo (Sindicato da Indústria da Construção de São Paulo) publicou o “Manual de Gestão de Resíduos de Obras”, disponível para download no site do Sinduscon SP - http://www.sindusconsp.com.br onde mostra como as construtoras devem segregar e destinar corretamente os resíduos das obras. |
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