Normalização em Eficiência Energética para a cidade de Salvador

Objetivo

O objetivo principal deste projeto é elaborar um texto de norma a ser submetido à Prefeitura Municipal de Salvador estabelecendo os padrões de eficiência energética a serem adotados em novas edificações comerciais. Esta norma deverá estabelecer limites mínimos de eficiência energética em sistemas de iluminação e ar-condicionado em edifícios comerciais, além de limites de desempenho térmico de componentes construtivos, visando reduzir o consumo de energia elétrica nessas edificações sem comprometer os níveis de conforto interno. Tais limites serão definidos de acordo com o clima de Salvador. Nesta norma deverá ser estabelecida a eficiência mínima de motores, equipamentos de ar-condicionado e aquecedores de água a serem usados em novas edificações comerciais. Será desenvolvida a análise econômica dos limites a serem adotados considerando-se vários cenários tarifários.

Além do texto principal da norma, deverá ser desenvolvido um manual de apoio à utilização da norma.

Como parte integrante do projeto será feito um levantamento das tipologias arquitetônicas praticadas em Salvador. A análise de influência de parâmetros construtivos e definições de projeto deverá ser feita através da simulação computacional de protótipos definidos a partir da base de dados de tipologias construtivas, empregando-se dados climáticos horários para a cidade de Salvador, compilados no LabEEE no formato TRY.

Justificativa

No Brasil, há uma diversidade dos usos finais da energia elétrica no setor comercial como o ar condicionado, iluminação, água quente, transporte vertical, equipamentos de escritório e bombas d’água. O sistema de iluminação é consumidor de cerca de 44 % do consumo total de um edifício comercial, sendo que o sistema de ar condicionado é consumidor de 20 % (GELLER, 1990).

Em resposta à crise de energia no país que exigiu do Brasil, em 2001, um plano de racionamento de energia em quatro de suas regiões (GCE, 2001), o decreto Nº 4.059, de 19 de Dezembro de 2001 regulamentou a Lei no 10.295, de 17 de outubro de 2001, dispondo sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia ao instituir o Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética – CGIEE. Este comitê regulamenta a adoção dos níveis máximo de consumo de energia ou mínimos de eficiência energética de cada tipo de aparelho e máquina consumidora de energia. O CGIEE deveria também constituir o Grupo Técnico para Eficientização de Energia nas Edificações no País a fim de adotar “procedimentos para avaliação da eficiência energética das edificações”, propor indicadores técnicos referenciais do consumo de energia de edificações eficientes e propor “requisitos técnicos para que os projetos de edificações a serem construídas no país atendam os indicadores mencionados”.

Esta é uma tendência mundial, já adotada em diversos países. A Standard 90.1 (ASHRAE, 1999) estabelece condições limite, bem como aspectos técnicos de instalação, do envelope da edificação, propriedades das janelas e portas, infiltração e estanqueidade. No sistema de condicionamento de ar, estabelece parâmetros de eficiência baseados no desempenho do sistema (COP). Já o sistema de iluminação é definido não somente por sua potência por metro quadrado, mas também pela forma de controle do sistema, exigindo controles adicionais para usos especiais da iluminação, como para iluminação de tarefa.

Discussão

A Standard 90.1 (ASHRAE, 1999) apresenta as condições limite do envelope de edifícios para Salvador em função de seu clima. Indica as temperaturas de projeto para aplicação das estratégias de resfriamento de 31o C para a temperatura de bulbo seco e 26o C para a temperatura de bulbo úmido, estabelecendo ainda as condições limite de acordo com a faixa de graus dia em que se encontra com a temperatura base de 10o C (Temperatura base comum a todas as localidades registradas na Standard 90.1, razão de ser baixa para Salvador): 5001-6000. Lista assim transmitâncias máximas e isolamentos mínimos de superfícies opacas e transmitâncias máximas e coeficientes de ganhos de calor máximos de sistemas de iluminação natural, como janelas ou domus. Os parâmetros limite estabelecidos pela Standard 90.1 (ASHRAE, 1999) não consideram, no entanto, a radiação solar ou velocidade dos ventos. A ação combinada de fatores climáticos como radiação, vento e umidade, considerados são relevantes para o aprimoramento das recomendações da Standard 90.1 e serão considerados nas simulações no programa DOE 2.1-E após o levantamento das tipologias construtivas e construção do modelo computacional. Os componentes da edificação intervenientes no consumo de energia elétrica serão definidos de acordo com as conclusões de SIGNOR (1999) e dos parâmetros definidos na Standard 90.1 (ASHRAE, 1999). A densidade potência instalada do sistema de iluminação,  o critério do INMETRO de etiquetagem segundo a capacidade de refrigeração e sua eficiência, são outros fatores a ser incluídos na formulação da norma de edifícios energeticamente eficientes em Salvador.

Estrutura inicial da norma para Salvador

Referências bibliográficas

ASHRAE. Energy Standard for Buildings Except Low-Rise Residential Buildings. ASHRAE Standard 90.1 –1999. American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers, Inc. Atlanta, 1999.

GCE. A Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica - GCE, determina que as concessionárias, permissionárias e autorizadas de serviços públicos de distribuição de energia elétrica, das Regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste adotem a redução de fornecimento de energia elétrica às Unidades Consumidoras por elas atendidas, iniciando o racionamento de energia elétrica. Resolução, n. 1, 16 de maio de 2001. Lex: Diário Oficial da União de17 de maio de 2001, Seção 1, p. 1, v. 139, n. 95 - E.

GELLER, H. S. Efficient electricity use: a development strategy for Brazil. Washinton D.C : American Council for an Energy-Efficient Economy, 1990.

SIGNOR, R. Análise de regressão do consumo de energia elétrica frente a variáveis arquitetônicas para edifícios comerciais climatizados em 14 capitais brasileiras. 1999, 122 p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Centro Tecnológico, Universidade Federal de Santa Catarina.

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