Método para avaliação de conforto térmico em região de clima quente e úmido do Brasil

Autor: 
Wagner Augusto Andreasi
Orientador: 
Roberto Lamberts
Resumo: 

Atualmente para a avaliação de conforto térmico no ambiente construído é recomendada a aplicação do modelo Fanger ou VMP/PPD, normalizado pela ISO7730. Tal modelo baseia-se no princípio físico do balanço térmico entre o homem e o ambiente, que leva em conta a rela-ção entre as sensações térmicas experimentadas pelas pessoas e a carga térmica que atua sobre seus corpos, essa última definida como a diferen-ça entre a produção interna de calor do corpo - representada pela taxa metabólica - e os mecanismos fisiológicos de transferência desse calor para o ambiente. Ocorre que esse modelo foi desenvolvido a partir de experimento realizado em câmara climatizada, com as variáveis climáti-cas controladas pelo pesquisador, diferentemente da realidade de campo. Isso tem permitido que com freqüência haja discrepâncias entre as sen-sações indicadas pelas pessoas e a indicada pelo referido modelo. Essas discrepâncias são observadas em várias regiões do mundo, inclusive no Brasil, conforme relatado nos nossos poucos trabalhos já desenvolvidos. Nesse contexto, o objetivo principal desta tese foi estabelecer modelo alternativo para a avaliação de conforto térmico em ambientes internos de edificações localizadas em região de clima quente do Brasil, com pessoas desenvolvendo atividade sedentária, a partir de dados levanta-dos em 3 ambientes ventilados naturalmente e outro artificialmente climatizado. Para tanto, o modelo resultante empregou dados obtidos a partir de equipamentos de fácil utilização, correntemente encontrados no mercado regional e que não fossem financeiramente dispendiosos. Além disso, aplicou os conceitos da Bioestatística em função do forte e in-questionável componente psicológico existente na informação das sen-sações e preferências térmicas humanas. No desenvolvimento da pesqui-sa, observaram-se contradições a algumas afirmativas existentes no modelo Fanger; por exemplo, a existência no ambiente condicionado artificialmente, em alguns períodos do experimento, de diferenças signi-ficativas entre os gêneros dos voluntários. Conclusão ainda mais interes-sante foi a de que os votos manifestados pelos homens e mulheres no ambiente condicionado artificialmente não revelaram correlação com o índice de isolamento médio das roupas utilizadas, o que sugere novos experimentos. Da mesma forma, verificou-se a existência de diferenças entre as avaliações térmicas manifestadas pelos dois grupos de recrutas e veteranos, o que também contraria o afirmado no embasamento do modelo normalizado, em que se afirma não haverem sido encontradas diferenças significativas entre voluntários de diferentes regiões e idades.

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