Condições de conforto térmico e aceitabilidade da velocidade do ar em salas de aula com ventiladores de teto para o clima de Florianópolis/SC

Autor: 
Renata De Vecchi
Orientador: 
Roberto Lamberts
Resumo: 

A predição da situação de conforto térmico em ambientes ventilados naturalmente tem sido discutida em vários estudos nos quais a possibilidade de se alcançar maior aceitabilidade térmica através do incremento na velocidade do ar é enfatizada. Estudos de campo constataram que ocupantes expostos a ambientes ventilados naturalmente toleram temperaturas mais altas, sendo que a velocidade do ar pode chegar até 2,5 m/s. No entanto, valores superiores a 0,8 m/s não se enquadram nos limites de velocidade do ar de normas internacionais como a ASHRAE 55-2004 e ISO 7730/05. Sendo assim, este estudo tem como objetivo principal a investigação das condições de conforto térmico e aceitabilidade da velocidade do ar em salas de aula com valores mais altos de velocidade do ar, incrementados através do uso de ventiladores de teto. Os experimentos de campo foram realizados em Florianópolis/SC durante as estações mais quentes, resultando em 2.507 questionários. As variáveis microclimáticas internas tais como a temperatura, velocidade e umidade relativa do ar foram monitoradas continuamente, enquanto os ocupantes respondiam a um questionário de aceitabilidade térmica e de velocidade do ar. As análises foram feitas a partir do índice SET (Standard Effective Temperature) e os resultados foram apresentados em forma de gráficos e tabelas através do cruzamento entre os dados microclimáticos e as respostas dos usuários. Os resultados mostraram que os ocupantes aceitaram ambientes térmicos com um valor de SET de 19°C até 23°C, onde a velocidade do ar teve papel essencial na obtenção de conforto térmico. A inaceitabilidade térmica ocorreu em maior parte durante os intervalos mais baixos de velocidade, que foram observados entre 0,10 e 0,40 m/s. Os ocupantes também aceitaram valores de velocidade do ar acima dos padrões internacionais (i.e 0,8m/s). Houve disparidades na preferência térmica e aceitabilidade dos ocupantes com exposição prévia a ambientes climatizados. Os resultados encontrados ressaltam ainda a importância no aumento da velocidade do ar e oportunidades adaptativas aos ocupantes, tanto para a aceitabilidade térmica, como para a satisfação em climas quentes e úmidos.

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